20090803

Descanso



na bolha,
esperança
num sopro,
espalhada
no sonho,
sonhada

©Márcia(clarinha)





Sou como você me vê.
Posso ser leve como uma brisa ou forte como uma ventania
Depende de quando e como você me vê passar.
(Clarice Lispector)
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Peço desculpas por minha ausência.
Embora não tenha comentado sempre vou visitar os queridos amigos.
Volto assim que puder e espero seja logo.
Carinho e beijos
Márcia(clarinha)
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20090728

Contradança

[imagem:net]

E essa musica dentro de mim
que não para de tocar?
E essa dependência
que me leva ao seu querer?
E essa fissura
tal qual éter encharcado n’alma?
E essa paixão
que faz coração suar desejo?
E esse apetite de corpo-baile
que faz dançar com coragem?
E esse vazio de tudo
que é [re]cheio de sensações?
E esse meu riso no seu espanto
que é vigor de nós dois?

©Márcia(clarinha)





Vai ter uma festa
que eu vou dançar
até o sapato pedir pra parar.
Aí eu paro
tiro o sapato
e danço o resto da vida.
(Chacal)
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20090724

Vício

(neue_bilder)

Leve-me à sua boca como alimento necessário

, nos seus olhos deixe-me morar como guia
, no seu peito preserve-me como aconchego
, no seu sorriso conserve-me como alegria
, no seu corpo ostente-me como tatuagem
, nos seus dedos dedilhe-me como canção
, no seu desejo tenha-me como inspiração

Carregue-me para onde for até quando nos sentirmos [prazer em nós]
- Prometo-lhe boa companhia.

©Márcia(clarinha)




E eu tenho tanto medo da distância que é um centímetro, tempo e silêncio.
- É por isso - ele me diz - que eu durmo com o corpo jogado em cima do teu.
[A menina no deserto]
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20090721

aTos

[neue_bilder]

Porque há em mim desejo antes da rotina imposta
durante a carnificina no sentido figurado
e depois do fato consumado

Porque há em mim desejo antes do dia seguinte
durante a encarnada paixão tinturada
e depois do ato lavrado

Porque há em mim desejo antes do gole que queima
durante a fartura da carne fresca
e depois do caso encerrado

Porque há desejo em mim
antes
durante
e depois
do fim

©Márcia(clarinha)




Sonhei contigo esta noite. E foi tão doce...
Acordei de madrugada, lambendo meu próprio sonho.
(Dani.)
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20090716

Purificação

[imagem:net]

Água quente deságua solidão no arrepio da pele / escorre rasgando culpa, ardendo sentenças, fluidificando carências, atropelando sensações / desatinada flagela-se na paixão que não passa, arde e arrasa / o calor veste de vapor o espelho que pinga o coração pelas flechas atravessado / contrição.

©Márcia(clarinha)





a culpa não é sua, nem minha.
mas serei eu a que irá arder nas chamas,
porque bruxos não existem.
(Fernanda Young)
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20090713

Unificado

[imagem:net]

Antevê nos seus olhos o desejo, a cobiça, o lampejo da brasa viva que seu corpo sinaliza
Respira o prazer que exala da pele mais dele que sua por direito de posse
Sente o verso por ele composto sem pudor num estado de desenfreada euforia
Pelas suas indomáveis e frágeis mãos, as dele a domam com alucinante energia
Já não sabe mais quem é ou quem parece ser, pouco importa identidade;
o que lhe cabe é a paixão desenfreada no comum acordo, a mil por hora.

©Márcia(clarinha)




o que escrevo
é apenas parte
do que sinto

a outra parte
finjo que minto
e acredito

(Lau Siqueira)
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20090710

De-ver

[rene magritte]


Manhã chuvosa, céu cinzento e frio cortante.
Ele belo nos seus mais de metro e oitenta não parece incomodado sob o casaco de pura lã.
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[Eu admiro vê-lo passar todas as manhãs caminhando como quem sem destino certo, mas ajeitado como para um encontro amoroso]
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Elegante, carrega debaixo do braço um livro de poemas eróticos e nos bolsos as mãos aquecidas para o deleite diário.
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Ela franzina de corpo excitado espera-o para a leitura e exercícios preliminares de massagem balsâmica curadora da solidão e libido.
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Noite seca, céu sem estrelas e frio ameno.
Dois arrepiados corpos quentes, mãos soltas, livro lido e olhos cúmplices semi-serrados no dever do prazer cumprido.

©Márcia(clarinha)




O que me mantém vivo
é o risco iminente da paixão
e seus coadjuvantes, amor,
ódio, gozo, misericórdia.
(Rubem Fonseca)
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20090707

Ata-me


Repleta de nós o corpo magro dói
Cânfora e menta massageando ego morno
Calosidade subcutânea no dorso torto
Nós atados nos músculos cansados de nós

©Márcia(clarinha)





O que não escrevi, calou-me.
O que não fiz, partiu-me.
O que não senti, doeu-se.
O que não vivi, morreu-se.
O que adiei, adeus-se.
(Affonso Romano de Sant'Anna)
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20090704

Querências

[Márcia Rehen]

Quero simplicidade como aceno de até logo o beijo no rosto corado o afago do abraço apertado o sabor da volta desejada, quero ser assim tão qualquer coisa de sua tão coisa nenhuma de mim, quero olhar o chão que piso sem cair saltando cercas da indecisão sem tropeçar em vãs filosofias, quero abrir em flor meu sorriso ao ver que distante vem vindo com jeito só pra mim trazendo nos passos maneiros a vontade louca de correr, quero olhar para frente sem esquecer lá atrás quando meio indecente me dei conta do que sou capaz, quero ser repetitiva nas palavras dizendo o que simplesmente querem dizer sem [re]buscar alternativas no evidente amo você, quero a simplicidade sem rimas de toda paixão colocada ns versos cantados para o amor, quero um dia simples [como todos deveriam ser] azul pincelado de amarelo.
(2006)
©Márcia(clarinha)





- Podia-me dizer, por favor, qual é o caminho para sair daqui? perguntou Alice.
- Isso depende muito do lugar para onde você quer ir. disse o Gato.
- Não me importa muito onde... disse Alice.
- Nesse caso, não importa por onde você vá. disse o Gato.
(Alice no País das Maravilhas)
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20090630

Reverso

[Maria Flores]


o verso de um poema
veste o poeta
ou versa sem rima
em busca da solução?

©Márcia(clarinha)





É dever do poeta desenvolver em si mesmo o sentido do ritmo. E não decorar métricas alheias
(Maiacóvski)
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